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quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

O PRIMEIRO CONTACTO (3)

BUDA E AS DANÇAS
15 setembro, 2005



Acordámos bem, não muito cedo, mas completamente recuperados da noite passada. Primeiro destino... bairro do Castelo de Buda, e tudo o que o envolve, ou quase tudo. Este sitio é particularmente nobre. Daqui a cidade está a nossos pés, ali estendida, numa exposição que me custou largar para ir embora. Lá em baixo o Danúbio, as pontes, o Parlamento, as igrejas, os edifícios, quase toda a cidade de uma só vez. Em Buda, o templo de Matias (Mátyás Templom) é vistoso, mas talvez, não o suficiente para me fazer conhecer o seu interior. Apanhando a “Színház Utca” facilmente descemos até ao Palácio Real. Esta construção elevou-se em Buda, no século XVIII, pela mão dos Habsburgos, a versão actual do palácio é uma reconstrução feita já no século XIX, após a destruição da original em 1945. Aqui podemos ver a grande fonte Mátyás, a estátua do Príncipe Eugénio de Sabóia, a Galeria Nacional Húngara, o Palácio Sándor ou a Biblioteca Nacional Széchenyi, sempre com a oportunidade de olhar o Danúbio e Peste lá do outro lado. O tempo escasseia e ainda queremos descer até ao centro de Peste. Fomos. Atravessámos a Ponte das Correntes (Széchenyi Lánchíd). A famosa ponte foi construída por iniciativa do conde István Széchenyi, é também conhecida pelos trágicos suicídios a que está relacionada, um dos quais o de János Marschalkó, que havia esculpido os dois grandes leões que ali se ergueram. Passámos a Roosevelt Tér e entrámos na famosa Rua Váci. Fomos atraídos por sons que pensámos ser de música tradicional húngara, chegámos um bocado mais perto e percebemos que se tratava de uma festa com música tradicional, não húngara, mas sim grega. Ficámos por ali e tentámos perceber o porquê daquelas danças e daquele contagiante espirito festivo. Não foi difícil descobrir, entrámos numa galeria que ali estava, a exibição fotográfica intitulava-se “Thank You Hungary” e o que ali acontecia era uma festa de agradecimento ao povo húngaro que entre 1948 e 1950 deu abrigo a mais de 3 mil crianças gregas que ali se refugiaram aquando a guerra civil que abalou a Grécia entre 1946 e 1949. Esta explicação foi nos gentilmente relatada por uma turista espanhola que por ali andava, que além disso fez questão de me empurrar para o meio das danças, e entre um empurrão e um esticar de mão, lá fui eu acompanhado por uma dançarina húngara que, pacientemente, me ajudava na impossível tarefa de acertar o passo... Não consegui. Depois das danças parámos e a dançarina explicou-me que iria abril uma escola de dança grega em Budapeste, e que eu devia tentar aprender. Mas não, fiquei-me apenas por um saboroso petisco grego que agarrei numa das tendinhas ali montadas. Já era noite e decidimos voltar para casa... Cansados e já sem forças para mais borga. Dormir, até amanhã. (continua)

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

O PRIMEIRO CONTACTO (2)

VÁROSLIGET E ARREDORES
14 setembro, 2005




Começámos por caminhar até às margens do "Duna". Num pequeno pulo chegámos à "Szent István Körut", a rua que acaba com o começo da Ponte de Margarita, daí facilmente se chega à frente do Parlamento. Não conseguimos deixar para mais tarde este reencontro, agora com luz solar. Ficámos ali alguns minutos, sentados, a olhar para Buda, e para tudo que nos rodeava. A estação de metro de "Kossuth Tér" fica logo ali, descemos as enormes escadas rolantes e, como antes havíamos planeado, rumámos a "Hösök Tere". A praça dos heróis (ou Hösök Tere), é paragem obrigatória para quem visita Budapeste pela primeira vez. Foi nesta zona que em 1896 se iniciaram as comemorações do Millennium Húngaro, esta época, de orgulho, na história da Hungria, foi marcada por uma modernização sem igual em qualquer outro país europeu. O monumento do Millennium nasceu mesmo no centro da praça e foi uma das vistosas construções desenvolvidas nesta época. Foi concluída apenas em 1929. Num dos extremos da praça vigora o Palácio da Arte, este é o maior espaço para exposições artísticas do país. No outro extremo está o museu de Belas-Artes, a única recordação que dele trago é um monte de andaimes empilhados em frente à primorosa fachada do edifico, que apenas conheço de algumas fotos que vi. Enquanto esperávamos pela Réka, tirei fotos e olhei mais vezes para tudo. Agora todos juntos... andámos alguns metros e entrámos no parque da cidade (ou em húngaro, Városliget), passámos pelo castelo “Vajdahunyad”, que, apesar de não ser genuíno, parece tirado de um conto de fadas, foi também construído aquando as comemorações do Millennium, e tem edifícios que reflectem diversos estilos arquitectónicos... Românico, gótico, renascentista e barroco. Antes da capela “Ják”, vimos a Estátua do Desconhecido. Estávamos quase a chegar ao nosso último destino de “Városliget”... Os banhos termais “Széchenyi”, um dos maiores complexos balneares da Europa, as águas quentes nascem a 970m de profundidade e atingem os 75ºC. Depois disto, quando voltámos para casa, quase não me conseguia mexer, ao mesmo tempo sentia-me muitíssimo bem. Os banhos “Széchenyi” fazem bem, Budapeste faz bem. O jantar foi calmo... Depois nem tanto. No “A38”, um barco parado nas margens do Danúbio, acontecia o “Nagy Fül Fesztivál”. Não sei nada acerca do festival, o que vi naquela noite foram bandas de música electrónica, uma delas era alemã, pelos vistos a mais conhecida, no fim da música ficaram a passar vídeos de curtas falados em inglês, enquanto isso, aos poucos a sala/barco ficava com menos pessoas, nós íamos ficando e bebendo. Por fim lá decidimos sair, quase depois de todos os outros o terem feito também. A noite estava agradável, apesar de ser tarde e de necessitarmos de poupar energias para o dia seguinte, não queríamos pôr-lhe ali fim. No caminho para casa (que poderia não ser para casa, pois se algo aparecesse, facilmente nos faria mudar de ideias), conhecemos dois húngaros, deviam ter a nossa idade, ou pelo menos não estavam muito longe disso. Não foi necessária muita conversa para decidir que devíamos ir beber um copo juntos. Acabámos num pequeno Pub que encontrámos ainda aberto. A música era péssima, dançamos na mesma porque estávamos a beber cerveja. O resto da noite foi longa... Acabámos por conhecer (por dentro) duas das esquadras da policia de Budapeste, percebemos também que eles ali não são muito tolerantes, talvez os 16 anos passados desde o fim do poder do regime soviético na Hungria, não tenham sido suficientes para acalmar a tensa atmosfera que ainda se vive na cidade. Directamente, não tivemos problemas de maior, porque, segundo me apercebi, e apesar de tudo, os turistas ainda merecem alguma tolerância. O mesmo já não podem dizer os amigos húngaros. Só me resta confessar que este caso não era mesmo de policia. Acabámos por nos deitar já com o sol a romper por entre as nuvens cinzentas de inicio de dia. Antes de adormecer... Um grande Uuuffff! (continua)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

RETALHOS DE UMA HISTÓRIA (4)

O DOMÍNIO TURCO E DOS HABSBURGOS



O coração do território húngaro passou a estar sob domínio turco, enquanto nas regiões ocidentais e meridionais, na chamada “Hungria Real”, dominavam os Habsburgos. O principado da Transilvânia foi o único que manteve a sua independência. Só em 1686 é que o exercito austríaco conseguiu vencer os Turcos. Mas a liberdade tem um preço muito caro: a Coroa húngara passou para os Habsburgos. Mas não foi tudo, pois, por ordem destes, um grande número de colonos estabeleceu-se na terra barbaramente saqueada e despovoada pelos turcos. Quase um milhão de suevos se fixou no Banato e na Hungria Central ; romenos, eslovacos e eslavos das regiões meridionais estabeleceram-se dentro do país. Desta maneira, os Magiares, de população dominante, tornam-se minoria. Quando, em Março de 1848, rebentou a revolução de Viena, a Hungria, chefiada por Lajos Kossuth (1802-1894), proclamou a sua independência. Só com a ajuda das tropas russas conseguiram os Habsburgos suster a revolução e os chefes foram todos justiçados; excepto Kossuth, que conseguiu fugir. Depois da derrota da guerra contra a Prússia e da subsequente perda do poder, a Áustria viu-se obrigada a um acordo sobre a questão húngara. O imperador Francisco José (1830-1916) foi coroado rei da Hungria, nascendo, assim, a dupla monarquia austro-húngara. Os dois estados tinham em comum a política externa, a defesa e a economia, mas a Hungria gozava de total independência em matéria de política interna. A nobreza magiar, que, de facto, conservara intactos todos os seus privilégios adquiridos no passado, tornou-se a classe dominante. A política de “magiarização”, realizada pelo governo, declarou o húngaro língua oficial. (continua)

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

O PRIMEIRO CONTACTO (1)

A CHEGADA
13 Setembro, 2005



Agora é diferente. O sonho que contei logo no primeiro post tornou-se mesmo real. E senti, cheirei, e vivi, mesmo que tenha sido por pouco tempo, vivi Budapeste. E realmente é um sitio peculiar. Mesmo. Budapeste é agora parte de mim. Acho que vou tentar escrever sobre este primeiro contacto. Vou tentar. À chegada, a expectativa era enorme. Posso dizer que em nada fiquei desiludido. Chegámos à capital Húngara já depois da hora de jantar. Foi bom sentir o vento bater na cara enquanto o comboio penetrava por entre os primeiros edifícios da cidade. Senti arrepios assim que comecei a ver as primeiras luzes de Budapeste. Parámos depois de atravessar o Danúbio e outra grande parte da cidade. Na estação Keleti, em Peste. esperámos pela Réka, ela concedeu-nos um bocado do seu espaço... deu-nos alojamento. Concedeu-nos também um bocado do seu tempo... deu-nos a hipótese de conhecer a cidade de uma forma bastante proveitosa. Apanhámos um autocarro, pelo caminho trocámos as primeiras palavras com Réka. O autocarro parou algures entre o rio e a casa da nossa nova amiga húngara. Ainda antes de pousar as malas no nosso quarto, descemos até às margens do Danúbio. Olhei para Buda, para o Parlamento, para a ponte, para a estrada, para a água, para tudo. Com um invulgar brilho nos olhos. Deixámos as bagagens e fomos beber as primeiras cervejas húngaras... Conversámos durante algumas horas antes de dormir. (continua)

domingo, 14 de agosto de 2005

RETALHOS DE UMA HISTÓRIA (3)

A HISTÓRIA

Habitada desde tempos pré-históricos, a Hungria foi primeiramente povoada pelos Celtas e depois conquistada pelos Romanos, que a organizaram como província da Panónia, dividida em Superior e Inferior. O declínio do império Romano marcou o advento de um longo período de instabilidade política. No século VI, fixaram-se aí as tribos dos Ávaros provenientes da Ásia, cujo predomínio só acabou com a intervenção do rei dos Francos, Carlos Magno (747-814). No fim do século IX chegaram à Panónia grupos de magiares belicosos, provenientes das áreas situadas entre Volga e os Urales, que expulsaram as populações da região e a ocuparam. As frequentes incursões na Europa Central e Meridional, assim como em Bizâncio, fizeram dos Magiares, durante cerca de meio século, o terror da Europa, até que Otão I (912-73) os derrotou definitivamente na batalha de Lechfeld, próximo de Augusta. A derrota obrigou os Húngaros a abandonar os seus hábitos nómadas e a tornarem-se sedentários. Estêvão I, o santo (c. 975-1038), difundiu o cristianismo no país e no ano 1000 o papa concedeu-lhe a dignidade real. Desta maneira, os Húngaros entraram de direito na grande assembleia dos europeus cristianizados. A Hungria tornou-se uma potência da Europa Central, pois anexou a Transilvânia, a Bósnia, a Croácia e a Dalmácia. O país rapidamente se refez da invasão mongol de 1241 e até o perigo turco, no século XV, pôde inicialmente ser facilmente controlado. No tempo de Matias I Corvino (1443-90), o reino da Hungria atinge o esplendor máximo. Posteriores anexações territoriais e a mudança da corte para Viena aconteceram ao mesmo tempo que um florescimento cultural que se inseria perfeitamente no clima de renovação propugnado pelo Humanismo e pelo Renascimento. Com a morte de Matias ruiu também o reino da Hungria. No campo de batalha de Mohács (1526, já não se pôde travar o avanço turco. (continua)

in Terras e Gentes - Europa do Norte e Europa do Leste

segunda-feira, 30 de maio de 2005

FRANZ LISZT (1811-1886)

COMPOSITOR E PIANISTA HÚNGARO



Franz Liszt nasceu na cidade húngara de Raiding, em Outubro de 1811. Considerado um dos melhores compositores de sempre e o melhor pianista da sua época, desde bem cedo demonstrou ter enorme talento, aos seis anos de idade foi-lhe proporcionada a hipótese de seguir uma educação musical adequada, e através do príncipe Nicolas Esterházy a família Liszt muda-se para Viena para que isso fosse possível. Liszt não só foi o maior pianista da sua época, mas também uma figura de destaque no movimento romântico, as suas composições eram únicas e bastante originais. O seu estilo pianístico, que influenciou Debussy e Ravel, caracterizava-se pela flexibilidade, pela liberdade de execução, pela procura de sonoridades novas e efeitos orquestrais, Franz Liszt deu aulas a alguns dos maiores pianistas da geração seguinte. Das muitas obras que compôs destacam-se a “Sinfonia Revolucionária” (1830); as “Rapsódias Húngaras” (1839-40), a “Faust Symphony” (1854), a “Symphony to Dante's Divina Commedia” (1855-56), a “Sonata para Piano em Si Menor” (1852-53), o “Concerto para Piano e Orquestra N.º 1 em Mi Bemol Maior “(1849) e o “Concerto para Piano e Orquestra N.º 2 em Lá Maior” (1839). Franz Lizst morreu em 1886, em Bayreuth, na Alemanha, mas antes deixou marcas que jamais desaparecerão, é talvez o húngaro com maior relevância em todo o mundo.

sábado, 28 de maio de 2005

RETALHOS DE UMA HISTÓRIA (2)

MAS QUEM SÃO REALMENTE OS HÚNGAROS?



Mas quem são realmente os Húngaros? Como se definem? Frequentemente dizem-se o povo “mais solitário” da Europa, pois não manifestam nenhuma ligação com os seus vizinhos. Esta situação é confirmada, em primeiro lugar, pela língua, completamente isolada em relação aos outros idiomas europeus. De facto, o húngaro, para quem não o conheça, é verdadeiramente incompreensível; não apresenta nenhuma afinidade com as outras línguas europeias, tanto românicas como germânicas, nem com o russo ou qualquer outra língua eslava. Com efeito, o húngaro pertence à família linguística ugro-finesa dos idiomas desenvolvidos entre os Urales e o Altai; seria, então, aparentada com as línguas faladas pelos Finlandeses, Estónios e Iacutes. Mas, actualmente, um húngaro não conseguirá compreender estas línguas, dado que estão muito diferenciadas. Em segundo lugar, subsiste um isolamento étnico que tem raízes antigas. Até ao século IX, os Húngaros ainda não se haviam fixado na sua pátria actual. Como eram nómadas, deslocavam-se continuamente nos territórios entre o Volga e os Urales. Só depois de muito séculos de migração para ocidente, período em que se uniram a outros grupos, reuniram-se na região correspondente à Hungria, levando consigo a sua língua, “rodeados de eslavos e germânicos” até ao nosso tempo. Os Húngaros são magiares, isto é, descendentes de uma antiga tribo dos Megyer, de origem ugro-finesa, que remonta ainda à dinastia dos Arpad, cujo fundador homónimo foi o lendário chefe dos Magiares durante a migração para o seu país actual. O termo “húngaro” remonta ao domínio do reino búlgaro de Onogug, a norte do mar Negro, que rebaptizou a região como Hungria, em língua eslava. No século XX, o país sofreu um grande desmembramento: com o Tratado do Trianon (1920), dois terços do território passaram para domínio estrangeiro. As fronteiras traçadas então são mais ou menos as actuais. Vivem na sua pátria cerca de onze milhões de húngaros e mais de três milhões nos países vizinhos, de que a maioria reside na Roménia. Ceausescu sempre negou a esta minoria, que conta cerca de dois milhões de pessoas, os direitos fundamentais, dando origem a frequentes conflitos entre os dois países. Mas também há centenas de milhares de húngaros na Eslováquia, na Voivodina russa e na Ucrânia. Hoje como ontem, é motivo de grande mágoa para os Húngaros a fragmentação da sua comunidade; mas, caso curioso, acham perfeitamente normal que milhão e meio de compatriotas tenham emigrado para os Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental, Austrália e África. Todos os anos cerca de 200.000 dos seu descendentes visitam a sua pátria como turistas. Dentro das suas fronteiras, os Húngaros representam a maioria absoluta da população. Entre as minorias, sobressaem os romanis, isto é, aqueles que genérica e impropriamente se designam como zíngaros ou ciganos. Constituídos por um grupo de cerca de 500.000 pessoas, os romanis sempre caracterizaram a imagem folclórica e alegre da Hungria. Mas na realidade as coisas são muito diferentes; pois, como nunca usufruíram de nenhum direito no seio da sociedade, sofreram ao longo dos tempos ferozes perseguições, e ainda hoje são discriminados, segredados e objecto de atitudes racistas. (continua)

in Terras e Gentes - Europa do Norte e Europa do Leste

quinta-feira, 26 de maio de 2005

RETALHOS DE UMA HISTÓRIA (1)

O FIM DO COMUNISMO HÚNGARO E O INICIO DE UMA NOVA ERA



Em 23 de outubro de 1989, trinta e três anos depois da invasão dos carros blindados soviéticos para calar a revolta popular, os sinos tocaram em todas as igrejas de Budapeste. Na margem esquerda do Danúbio reunira-se uma multidão para assistir ao que poderia chamar-se o "fim oficial" do comunismo húngaro: a descida da estrela vermelha, com mais de mil quilos, que encimava o edifício do Parlamento, a quase cem metros de altura. Acabado o jugo de Moscovo, também as tropas soviéticas estacionadas na Hungria tiveram de deixar o país. Deste modo, acabou uma era da história húngara, que durou quarenta anos, durante a qual se tentou uma integração forçada do país na esfera de influência soviética. Os Húngaros nunca esqueceram que estavam mais ligados às tradições e à cultura do mundo ocidental; o seu gradual afastamento da esfera de influência soviética, nos finais dos anos 80, representou certamente um sinal para todos os outros países do Leste europeu. O corajoso contributo para destruir a Cortina de Ferro e a decisão, em 10 de Setembro de 1989, de permitir a milhares de refugiados da República Democrática Alemã que passassem para o mundo ocidental não podem ser esquecidos. O ministro dos Negócios Estrangeiros de então, Gyula Horn (n.1932), recebeu, em nome do país, o Karlpreis, isto é, o Prémio Internacional da Cidade de Aix-la-Chapelle. Também no período em que a Hungria fazia parte do bloco soviético continuou a ser igual a si mesma. Ao contrário dos outros países socialistas, que davam uma impressão de tristeza e melancolia, a Hungria sempre manteve a sua identidade nacional de país com uma história antiga, corajoso e orgulhoso, dinâmico e independente. Os dez milhões de turistas que todos os anos a visitam estão conscientes disso, hoje mais do que nunca. De facto, é a atmosfera húngara, com excepção do lago Balaton e da cidade de Budapeste, que constitui a atracção principal. A Hungria desempenhou no passado importantes funções políticas e diplomáticas. País de fronteira entre o Ocidente e o Leste europeu, ao longo dos anos tornou-se o território escolhido para encontro de parentes e amigos que viviam para além da Cortina de Ferro. Aliás, para os turistas provenientes dos outros Estados do bloco, tratava-se de um autêntico paraíso para fazer compras; e, para os turistas ocidentais, a Hungria representava um destino interessante.Actualmente são muito apreciadas as especialidades gastronómicas e o óptimo vinho. É também conhecidíssima a música húngara, não só a folclórica, mas especialmente a cigana, bem como os seus trajos tradicionais. (continua)

in Terras e Gentes - Europa do Norte e Europa do
Leste

domingo, 1 de maio de 2005

NEO

MÚSICA



Neo” é um dos projectos de maior relevo no seio da música electrónica Húngara. Apareceram em 1998, fundados por Mátyás Milkovics e por Márk Moldovai, até hoje sofreram algumas alterações sendo agora constituídos por Mátyás Milkovics, Enikő Hodosi, Péter Kőváry e Gergő Szőcs. Destacaram-se na música Húngara quando compuseram os temas da banda sonora do filme “Kontroll”, que foi apresentado no inicio deste ano na Alemanha. Um filme realizado por Nimród Antal que já mereceu a nomeação para os oscares num prestigiado festival dos Estados Unidos. “Kontroll” será agora apresentado em mais de 10 países, assim como a sua banda sonora. Em baixo deixo disponível para download um dos temas incluídos neste trabalho.

Gyalogkakukk "Its Over Now" (
download)

Site Oficial:
http://www.neo.hu

sexta-feira, 29 de abril de 2005

BUDAPESTE DE CHICO BUARQUE

LITERATURA



José Costa é um escritor anónimo pago para produzir artigos de jornal, discursos políticos, cartas de amor, monografias e autobiografias romanceadas que outros assinam. Um dia, regressando de um congresso de escritores anónimos em Istambul, é obrigado a fazer escala forçada em Budapeste. Fascinado pela língua magiar, José Costa retorna à capital húngara, passando a ser Zsoze Kósta, e torna-se amante de Kriska, a sua professora. A obsessão de dominar completamente o novo idioma, leva-o a viver num tresloucado vaivém entre Rio de Janeiro, onde vive com a sua mulher Vanda, e Budapeste, onde passa a viver com Kriska. No Rio de Janeiro, José atinge o cume da sua carreira com o best-seller involuntário, O Ginógrafo, (autobiografia) forjada, do empresário alemão Kasper Krabbe, que aprendeu a escrever o português no corpo nu das mulheres. Em Budapeste acaba por escrever Os Tercetos Secretos em nome de um poeta, Kocsis Ferenc, em franca decadência. Budapeste é a história de um escritor dividido entre duas cidades, duas mulheres, dois livros e duas línguas, uma intrigante e por vezes divertida especulação sobre identidade e autoria.” - Prefácio.

E assim, a vontade é cada vez maior...

terça-feira, 26 de abril de 2005

SZERÉNYI BÉLA & KÓTA JUDIT

MÚSICA TRADICIONAL HÚNGARA

Foi com os temas do álbum “Túl a Tiszán” de Szerényi Béla & Kóta Judit que eu tive o primeiro contacto com a música popular Húngara, desde ai tenho conhecido muitos grupos étnicos Húngaros bastante interessantes. Os ritmos dançantes com melodias bem vincadas caracterizam as sonoridades tradicionais do leste, acho que é isso que tão bem me preenche o ouvido.
Deixo-vos uma música do “Túl a Tiszán” de Béla & Judit, o grupo que mais gosto de ouvir.



Adjon Isten Rózsám (
download)

segunda-feira, 25 de abril de 2005

PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

O BAIRRO DO CASTELO DE BUDA E AS MARGENS DO DANÚBIO EM BUDAPESTE

Budapeste tem uma das mais impressionantes paisagens urbanas a nível mundial, desde 1987 que estão inscritos na UNESCO o centro histórico e o panorama de ambas as margens do rio Danúbio entre a ponte Margarida e o monte Gellért, o mercado central, a Igreja paroquial da baixa da cidade, a Cidadela e a grande Sinagoga, a colina e o castelo de Buda, o Palácio Real, assim como as alterações nele feitas na dinastia dos Habsburgos, o Bastião dos Pescadores, o Palácio de Sandor e as casas de comércio em Tárnok utca.




O Dánubio e as suas margens... Ao fundo, consegue-se ver as torres Neogóticas do edificio do Parlamento.

sábado, 23 de abril de 2005

UM SONHO REAL

Ontem vagueei por Budapeste, parecia tudo tão real... as ruas, o rio, os bares, as pessoas, a cidade. Entristeceu-me acordar e descobrir que estava no sitio do costume, na minha cama. Nunca antes tinha estado no meu imaginário um lugar real de uma maneira tão intensa como esta... Este sonho despertou-me uma vontade enorme em descobrir Budapeste, as suas gentes, a sua cultura, a sua história... Hoje, bem acordado, escrevo sobre as realidades que tenho conhecido deste magnifico mundo Húngaro... Queiram acompanhar-me!