Há quatro anos atrás, quando comecei este blogue, escrevi sobre o romance de Chico Buarque "Budapeste". Se bem me lembro, esta obra teve a particularidade de ser escrita ainda antes de Chico Buarque ter visitado a capital húngara pela primeira vez. Eu próprio também o li antes de ir a Budapeste pela primeira vez. Ai comecei a imaginar as ruas de Budapeste pelas palavras do imaginário de Chico Buarque. Agora, quando guardo muitas (boas e eternas) recordações da cidade, espero até estar a deliciar-me com o filme baseado no romance de Chico Buarque e realizado por Walter Carvalho que estreia agora nas salas de cinema brasileiras. Que chegue depressa aqui ao outro lado do mar!
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
BUDAPESTE "O FILME"
REALIZAÇÃO DE WALTER CARVALHO

Há quatro anos atrás, quando comecei este blogue, escrevi sobre o romance de Chico Buarque "Budapeste". Se bem me lembro, esta obra teve a particularidade de ser escrita ainda antes de Chico Buarque ter visitado a capital húngara pela primeira vez. Eu próprio também o li antes de ir a Budapeste pela primeira vez. Ai comecei a imaginar as ruas de Budapeste pelas palavras do imaginário de Chico Buarque. Agora, quando guardo muitas (boas e eternas) recordações da cidade, espero até estar a deliciar-me com o filme baseado no romance de Chico Buarque e realizado por Walter Carvalho que estreia agora nas salas de cinema brasileiras. Que chegue depressa aqui ao outro lado do mar!
Há quatro anos atrás, quando comecei este blogue, escrevi sobre o romance de Chico Buarque "Budapeste". Se bem me lembro, esta obra teve a particularidade de ser escrita ainda antes de Chico Buarque ter visitado a capital húngara pela primeira vez. Eu próprio também o li antes de ir a Budapeste pela primeira vez. Ai comecei a imaginar as ruas de Budapeste pelas palavras do imaginário de Chico Buarque. Agora, quando guardo muitas (boas e eternas) recordações da cidade, espero até estar a deliciar-me com o filme baseado no romance de Chico Buarque e realizado por Walter Carvalho que estreia agora nas salas de cinema brasileiras. Que chegue depressa aqui ao outro lado do mar!
sábado, 3 de maio de 2008
BUDA E PESTE
Desci as escadas a correr, o sol está forte e posso usar a bicicleta. De dois em dois degraus chego à garagem, abro o cadeado e num instante já estou a correr a Dembinszky Utca (Rua Dembinszky) em direcção ao centro. Como sempre encontro pelo caminho o eléctrico número 76, também sempre sou mais rápido, ultrapasso-o e entro à frente na Wesselényi Utca. Mas desta vez não parei no número 26 do escritório da Fundação Planet e segui, sem deixar de pedalar, até à Deák Tér (Praça Déak). Estranhamente tinha saudades de respirar o poluído ar da Praça Deák. Parei, e depois de olhar o topo da Basílica de Santo Istvan e relembrar o quanto grande ela é, continuei sem sequer sentir o mais pequeno sinal de cansaço. Dali até às margens do Danúbio pouco passou e entre escolher a Ponte Margit e a Széchenyi, decidi-me pela segunda para chegar a Buda. Já lá, hesitei, mas acabei por me decidir em seguir o rio para sul, enquanto barcos flutuavam no “Duna” seguindo a mesma direcção, por instantes pensei que seria perfeito flutuar como eles, mas depressa percebi que não era o melhor, pois o seu flutuar é sempre despreocupado e sem pressas, e eu estava inquieto, queria esgotar a cidade o melhor e mais depressa possível. Depois de passar perto da Ponte Erzsébet e dos banhos Rudas, fiquei com o monte Gellért mesmo por cima de mim, quase me esquecia do quanto bonita é toda a área da cidadela. Continuei a pedalar, voltei a Peste pela Ponte da Liberdade e depois de atravessar o grande edifício do mercado cheguei à Kálvin Tér (Praça Kálvin), a vontade de beber o saboroso café do bar Monyo quase me fez parar, mas não, não parei e entrei na Rua Ráday... A Ráday rasga o turístico, mas não perde o charme de uma verdadeira rua budapestiana ainda significantemente alimentada por budapestianos em sintonia com os estrangueiros. Nunca tinha sentido tanta vontade de pedalar, nunca tinha sentido tanta vontade de ter os olhos tão abertos e olhar para todos os lados o mais que conseguisse. Cruzei uma das perpendiculares à Ráday e logo a seguir cheguei à enorme avenida dos eléctricos 4 e 6. Segui em direcção a Blaha Lujza Tér. Parei por momentos para equilibrar a respiração e tentar decidir o caminho a seguir. Não tive tempo... A porcaria do relógio nunca foi capaz de me transmitir boa energia, e às 8h30 tocou até eu lhe meter a mão em cima e despertar para mais um dia em que o sono e o sonho acaba vencido pela maldita força da rotina, que tão longe continua da minha vontade. Mais uma vez a imaginação e o sonho se desfazem antes que a verdadeira vontade se vingue.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
"NENHUM OLHAR" DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO EM HÚNGARO
JOSÉ LUÍS PEIXOTO
É apresentada, no próximo dia 5 de Dezembro, a tradução húngara do livro "Nenhum Olhar" de José Luís Peixoto. Esta obra tornou-se como que a confirmação do escritor no seio da literatura portuguesa e internacional. Ganhou o prémio José Saramago e já foi também traduzida em várias línguas. Agora é a vez do húngaro. A edição está a cargo da Editora Europá. A cerimónia de lançamento tem lugar por volta das 17h no Centro Interuniversitário de Estudos Franceses e é organizada pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões em Budapeste. Nesta cerimónia, os presentes, poderão ouvir e conversar com Miklós Nagy, chefe de redacção da Editora Európa, e com Mónika Bense, a tradutora. Serão também lidos excertos do romance em ambas as línguas. Em húngaro, o livro chama-se "Egyetlen Pillantás Nélkül".
É apresentada, no próximo dia 5 de Dezembro, a tradução húngara do livro "Nenhum Olhar" de José Luís Peixoto. Esta obra tornou-se como que a confirmação do escritor no seio da literatura portuguesa e internacional. Ganhou o prémio José Saramago e já foi também traduzida em várias línguas. Agora é a vez do húngaro. A edição está a cargo da Editora Europá. A cerimónia de lançamento tem lugar por volta das 17h no Centro Interuniversitário de Estudos Franceses e é organizada pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões em Budapeste. Nesta cerimónia, os presentes, poderão ouvir e conversar com Miklós Nagy, chefe de redacção da Editora Európa, e com Mónika Bense, a tradutora. Serão também lidos excertos do romance em ambas as línguas. Em húngaro, o livro chama-se "Egyetlen Pillantás Nélkül".
terça-feira, 8 de maio de 2007
O BICA EM PESTE
CONCERTO

Ainda antes do meu não aguardado regresso a terras lusas, em Budapeste irei ter o prazer de mais uma vez assistir ao reunir do contra-baixo do Carlos Bica, da guitarra do Frank Möbus e da bateria do Jim Black. A tour do "Believer" passa pela Hungria, e se não me engano, será a primeira oportunidade para os magiares sentirem a mágica ressonância das cordas do Bica. É já dia 30 de Maio no barco A38, e quem está… está, quem não está talvez esteja num dos outros. A tour do "Believer" passa ainda na Alemanha, Austria, Suiça, Holanda e Portugal, estejam atentos.
Carlos Bica na Web: www.carlosbica.com
Ainda antes do meu não aguardado regresso a terras lusas, em Budapeste irei ter o prazer de mais uma vez assistir ao reunir do contra-baixo do Carlos Bica, da guitarra do Frank Möbus e da bateria do Jim Black. A tour do "Believer" passa pela Hungria, e se não me engano, será a primeira oportunidade para os magiares sentirem a mágica ressonância das cordas do Bica. É já dia 30 de Maio no barco A38, e quem está… está, quem não está talvez esteja num dos outros. A tour do "Believer" passa ainda na Alemanha, Austria, Suiça, Holanda e Portugal, estejam atentos.
Carlos Bica na Web: www.carlosbica.com
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
AS DANÇAS
Gosto de beber uma cerveja no bar mais próximo depois de acabar o meu dia de trabalho. De me descalçar e sentar quase deitado numa das casas de chá que conheci nestes últimos dias. De jantar e ficar para mais um copo de vinho, ou dois, no Castro. De me sentar no barco A38 a ver os outros barcos passarem ao lado, ou então, depois de anoitecer, descer ao porão para ver quem está a actuar. De ir a um concerto rock num dos clubes da cidade. De me sentar numa esplanada a ler a agenda da Pestiest, ou de caminhar à noite perto do Danúbio e esperar pela hora em que as luzes que iluminam o Parlamento e o Palácio Nacional se apaguem, todas em simultâneo. Mas decidi escrever principalmente porque gosto de sentir a energia e a alegria da dança tradicional húngara, e por mais coisas diferentes que eu aqui faça, ver e tentar dançar a música húngara é das que mais me faz não esquecer que não estou em casa. Ontem mais uma vez decidi ir a Almassy Tér, é engraçada a forma como os húngaros partem para a dança depois de ouvirem os primeiros acordes, escolhem os passos e pernas hajam daí para a frente. Tudo em redor, no café, no corredor e na sala de dança é cheio de vivacidade e um barulhento espirito festivo que faz esquecer a triste e solitária personalidade que caracteriza os húngaros. A verdade é que penso que consigo achar pontos de ligação entre a forma de como eles encaram as danças e a sua personalidade ou os seus actos no dia-a-dia. Os movimentos inocentemente brutos, a procura em ser o mais forte e mais rápido, o querer dançar em grupo e outras vezes não, ou todo o esforço esgotado de uma vez deixando os seus corpos mergulhados em suor. Gosto de descer as escadas do salão, regressar à rua e saltar enquanto caminho até casa… Como um menino que está sempre bem disposto. É o que sinto no final.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
NA GRANDE PLANÍCIE HÚNGARA
DEBRECEN
À excepção de uma semana onde o frio atacou em força e alguma neve começou a cair em Budapeste, os últimos dias na Hungria têm sido bastante agradáveis e óptimos para partir à descoberta de algumas cidades ou vilas húngaras. Passei por Dombori, Szeksárd, Tolna e Pécs a sul do país, mas a visita a Debrecen foi a que mais me ficou na memória. Debrecen é uma das mais importantes cidades húngaras, está situada a leste de Budapeste e a escassos quilómetros da fronteira com a Roménia. Foi considerada capital da Hungria por diversas vezes, a última das quais em 1944 após a segunda guerra mundial. Debrecen é uma das cidades irmãs de Setúbal. O meu primeiro contacto, depois da curta passagem da estação de comboios para o carro que nos levou ao local que nos acolheu, foi o complexo de banhos termais, e foi também um dos pontos altos da visita a Debrecen. No dia seguinte subimos à torre do templo Nagy e dali a praça Kalvin fica toda a nossos pés. Entre o vai e vem de pessoas e eléctricos em movimento na cidade, os pássaros rodeavam a torre do templo e deslocavam-se em grupos de edifício para edifício saboreando o apetitoso sol. Antes havia imaginado uma Hungria completamente negra e sem sol por esta altura, mas assim não tem sido. A praça Kalvin parece ser o lugar preferido para partilhar algumas conversas de rotina e desfrutar de um pequeno descanso. As pessoas sentam-se ao longo dos diversos bancos da praça e observam o evoluír do dia e da vida na cidade. Assim como nós o fizemos por alguns minutos antes do primeiro café quase ao final da manhã. Caminhámos ao longa da rua Piac, passámos o templo Csonka e visitámos o museu Déri. No museu, à excepção da triologia de pinturas de Mihály Munkácsy e de algumas imagens dos bombardeamentos a Debrecen durante a segunda guerra mundial, nada me ficou na memória. Tudo me pareceu bastante saudável durante a visita à segunda maior cidade do país dos magiares e será um prazer regressar.
À excepção de uma semana onde o frio atacou em força e alguma neve começou a cair em Budapeste, os últimos dias na Hungria têm sido bastante agradáveis e óptimos para partir à descoberta de algumas cidades ou vilas húngaras. Passei por Dombori, Szeksárd, Tolna e Pécs a sul do país, mas a visita a Debrecen foi a que mais me ficou na memória. Debrecen é uma das mais importantes cidades húngaras, está situada a leste de Budapeste e a escassos quilómetros da fronteira com a Roménia. Foi considerada capital da Hungria por diversas vezes, a última das quais em 1944 após a segunda guerra mundial. Debrecen é uma das cidades irmãs de Setúbal. O meu primeiro contacto, depois da curta passagem da estação de comboios para o carro que nos levou ao local que nos acolheu, foi o complexo de banhos termais, e foi também um dos pontos altos da visita a Debrecen. No dia seguinte subimos à torre do templo Nagy e dali a praça Kalvin fica toda a nossos pés. Entre o vai e vem de pessoas e eléctricos em movimento na cidade, os pássaros rodeavam a torre do templo e deslocavam-se em grupos de edifício para edifício saboreando o apetitoso sol. Antes havia imaginado uma Hungria completamente negra e sem sol por esta altura, mas assim não tem sido. A praça Kalvin parece ser o lugar preferido para partilhar algumas conversas de rotina e desfrutar de um pequeno descanso. As pessoas sentam-se ao longo dos diversos bancos da praça e observam o evoluír do dia e da vida na cidade. Assim como nós o fizemos por alguns minutos antes do primeiro café quase ao final da manhã. Caminhámos ao longa da rua Piac, passámos o templo Csonka e visitámos o museu Déri. No museu, à excepção da triologia de pinturas de Mihály Munkácsy e de algumas imagens dos bombardeamentos a Debrecen durante a segunda guerra mundial, nada me ficou na memória. Tudo me pareceu bastante saudável durante a visita à segunda maior cidade do país dos magiares e será um prazer regressar.
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
PORQUE É QUE EU GOSTO DE BUDAPESTE
Após a minha primeira visita, achei que seria bom voltar e tentar conhecer melhor a cidade, isto porque há muito que tenho em mente que Budapeste é uma cidade especial. Cinco meses depois da minha chegada continuo a pensar que Budapeste é de facto especial, melhor, comecei a pensar que Budapeste é ainda mais especial do que eu pensava. Acho que por mais tempo que passe aqui, nunca vou conseguir saber o verdadeiro porquê de Budapeste ser tão especial para mim. São as pessoas, são as ruas, os edificios, os eléctricos, as pontes, os cafés ou o rio… No fundo, acho que é tudo isto em movimento, é a vida e a energia que ela tem. Tudo tão simples, mas tão intenso e misterioso. A cidade move-se peculiarmente, a sua magia em contraste com a simplicidade daquilo que se avista, despe-me e deixa-me sem expressão. Penso que nunca o conseguirei explicar como gostaria. Apesar de tudo decidi escrever algo. Budapeste é tão grande que não a consigo apanhar com palavras.
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
quinta-feira, 28 de setembro de 2006
O PARTILHAR CULTURAS
TŰZRAKTÉR - BUDAPESTE
Começa hoje o ”Let’s Share Cultures”, durante estes dois dias vou estar no Tűzraktér a tentar ajudar a mostrar algo de Portugal a quem, aqui em Budapeste, estiver interessado. Junto com as minhas fotos sobre a Hungria, vão estar em exposição as fotos da Réka Szalkai e da Szófia Palyi sobre Portugal. O programa é extenso, destaco os concertos portugueses do Adolfo Luxúria Canibal e do António Rafael, com a apresentação do Estilhaços, o concerto de Almaplana e ainda de Umpletrue. Assim como as video projecções de documentários e curtas-metragens, na sua maioria, cedidas pela Fundação Calouste Gulbenkian. Este evento tem o apoio do Instituto Camões e da Embaixada de Portugal em Budapeste, a eles desejo a melhor sorte e um grande obrigado por me terem ajudado a passar para a práctica esta minha ideia.
O programa: www.planetclub.hu/bruno/index.htm
Começa hoje o ”Let’s Share Cultures”, durante estes dois dias vou estar no Tűzraktér a tentar ajudar a mostrar algo de Portugal a quem, aqui em Budapeste, estiver interessado. Junto com as minhas fotos sobre a Hungria, vão estar em exposição as fotos da Réka Szalkai e da Szófia Palyi sobre Portugal. O programa é extenso, destaco os concertos portugueses do Adolfo Luxúria Canibal e do António Rafael, com a apresentação do Estilhaços, o concerto de Almaplana e ainda de Umpletrue. Assim como as video projecções de documentários e curtas-metragens, na sua maioria, cedidas pela Fundação Calouste Gulbenkian. Este evento tem o apoio do Instituto Camões e da Embaixada de Portugal em Budapeste, a eles desejo a melhor sorte e um grande obrigado por me terem ajudado a passar para a práctica esta minha ideia.
O programa: www.planetclub.hu/bruno/index.htm
quarta-feira, 20 de setembro de 2006
REVOLUÇÃO (OU APENAS VIOLÊNCIA)
BUDAPESTE

Hoje vou dormir no escritório, mas isso pouco importa tendo em conta aquilo que se passa atrás de mim, na rua. A Hungria está revoltada, ou pelo menos parte grande dela. As pessoas estão na rua e os confrontos aumentam de hora para hora. Há quem lhe chame revolução, mas outros preferem dizer que são meia dúzia de fanáticos de extrema direita que estão a causar a onda de violência em Budapeste. Tudo depois do Primeiro Ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, preferir alguns comentários acerca da situacão económica do país, onde mete completamente em causa a competência e seriedade do governo húngaro. As palavras foram gravadas secretamente e expostas a público gerando a revolta da população, principalmente das classes da oposição. Quanto a mim deixo-me estar quietinho. Tentei sair á rua para fazer uma ou duas fotos mas a policia estava a bloquear todos os acessos ao centro dos protestos, neste momento em Blaha Lujza. Antes tinha passado por lá, no preciso momento em que as carrinhas chegavam com os policias, o tempo de vir ao escritório buscar a máquina foi suficiente para me bloquearem o caminho de volta. Tudo o que consegui foi ouvir carros de bombeiros e policia a buzinar de um lado para o outro e um cheirinho de gáz lacrimogénio nos olhos, mas como já o apanhei no fim, foi fácil escapar. Os autocarros estão parados, ou talvez meia cidade esteja parada para protestar e também ajudar a fazer violência. Eu não tenho como chegar a casa hoje, mas tudo bem. Só é pena pensar que se faz história atrás de mim e eu nem uma televisão tenho para olhar.
Hoje vou dormir no escritório, mas isso pouco importa tendo em conta aquilo que se passa atrás de mim, na rua. A Hungria está revoltada, ou pelo menos parte grande dela. As pessoas estão na rua e os confrontos aumentam de hora para hora. Há quem lhe chame revolução, mas outros preferem dizer que são meia dúzia de fanáticos de extrema direita que estão a causar a onda de violência em Budapeste. Tudo depois do Primeiro Ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, preferir alguns comentários acerca da situacão económica do país, onde mete completamente em causa a competência e seriedade do governo húngaro. As palavras foram gravadas secretamente e expostas a público gerando a revolta da população, principalmente das classes da oposição. Quanto a mim deixo-me estar quietinho. Tentei sair á rua para fazer uma ou duas fotos mas a policia estava a bloquear todos os acessos ao centro dos protestos, neste momento em Blaha Lujza. Antes tinha passado por lá, no preciso momento em que as carrinhas chegavam com os policias, o tempo de vir ao escritório buscar a máquina foi suficiente para me bloquearem o caminho de volta. Tudo o que consegui foi ouvir carros de bombeiros e policia a buzinar de um lado para o outro e um cheirinho de gáz lacrimogénio nos olhos, mas como já o apanhei no fim, foi fácil escapar. Os autocarros estão parados, ou talvez meia cidade esteja parada para protestar e também ajudar a fazer violência. Eu não tenho como chegar a casa hoje, mas tudo bem. Só é pena pensar que se faz história atrás de mim e eu nem uma televisão tenho para olhar.
sexta-feira, 8 de setembro de 2006
PILISSZENTLASLO
PILISSZENTLASLO

A falta de tempo tem-me mantido longe deste espaço. Gostava de escrever muito sobre o meu último fim de semana, mas a cabeça já me está a pesar, mesmo assim, vou tentar. Na verdade fiquei fora de Budapeste durante cinco dias, quando voltei tive a sensação de ter estado fora durante três meses. Por outro lado estou em Budapeste à três meses e parece que cheguei à cinco dias. Há coisas que não sei explicar, simplesmente são assim. O EVS Clube é um encontro e treino para jovens voluntários e foi o que me fez mover de Budapeste para Pilisszentlaslo, uma pacata vila a norte da capital húngara e a escassos quilómetros de Szentendre. Além de ter trocado experiências com outros jovens de 13 países diferentes, o treino, o descanso e a simples liberdade que lá senti, fizeram-me estraordináriamente bem ao espirito. Perguntaram-me se me considerava como que um ”representante” de Portugal no meio de ”representantes” de outros países. Respondi que não, de maneira alguma, mas que no fundo gostava de perceber, em cada um deles, a imagem e a cultura dos seus respectivos países. Falámos sobre a Arménia e os seus costumes, reparámos que somos diferentes, mas que não é dificil respeitármo-nos. Falámos sobre as regras do Alcorão, descobrimos que alguns de nós não conseguiriam viver atados a ele, mas que podemos partilhar aventuras ou conversas com aqueles que o fazem. Tentámos partilhar tradições na cozinha, fui incapaz de comer o prato polaco que me tentaram oferecer. Mas a tortilha espanhola feita por um dinamarquês estava deliciosa. Encontrámos diferentes caminhos durante as actividades que desenvolvemos, mas acabámos todos por conseguir o que foi proposto. Sempre tentámos e conseguimos encontrar o balanço ou o ponto ideal quando as diferentes ideias apareciam devido as nossas diferenças socio-culturais. Por vezes sentia-me como um menininho a brincar e ao mesmo tempo a crescer, outras vezes sentia-me simplesmente um menino, não interessava se estava a crescer, estava lá e a atmosfera, o cheiro, os sons eram saudáveis e ao mesmo tempo puros e inocentes. Foi bastante bom perceber que todos conseguimos descer e subir juntos, e não interessa se somos diferentes, o que importa é sabermos ser diferentes.
A falta de tempo tem-me mantido longe deste espaço. Gostava de escrever muito sobre o meu último fim de semana, mas a cabeça já me está a pesar, mesmo assim, vou tentar. Na verdade fiquei fora de Budapeste durante cinco dias, quando voltei tive a sensação de ter estado fora durante três meses. Por outro lado estou em Budapeste à três meses e parece que cheguei à cinco dias. Há coisas que não sei explicar, simplesmente são assim. O EVS Clube é um encontro e treino para jovens voluntários e foi o que me fez mover de Budapeste para Pilisszentlaslo, uma pacata vila a norte da capital húngara e a escassos quilómetros de Szentendre. Além de ter trocado experiências com outros jovens de 13 países diferentes, o treino, o descanso e a simples liberdade que lá senti, fizeram-me estraordináriamente bem ao espirito. Perguntaram-me se me considerava como que um ”representante” de Portugal no meio de ”representantes” de outros países. Respondi que não, de maneira alguma, mas que no fundo gostava de perceber, em cada um deles, a imagem e a cultura dos seus respectivos países. Falámos sobre a Arménia e os seus costumes, reparámos que somos diferentes, mas que não é dificil respeitármo-nos. Falámos sobre as regras do Alcorão, descobrimos que alguns de nós não conseguiriam viver atados a ele, mas que podemos partilhar aventuras ou conversas com aqueles que o fazem. Tentámos partilhar tradições na cozinha, fui incapaz de comer o prato polaco que me tentaram oferecer. Mas a tortilha espanhola feita por um dinamarquês estava deliciosa. Encontrámos diferentes caminhos durante as actividades que desenvolvemos, mas acabámos todos por conseguir o que foi proposto. Sempre tentámos e conseguimos encontrar o balanço ou o ponto ideal quando as diferentes ideias apareciam devido as nossas diferenças socio-culturais. Por vezes sentia-me como um menininho a brincar e ao mesmo tempo a crescer, outras vezes sentia-me simplesmente um menino, não interessava se estava a crescer, estava lá e a atmosfera, o cheiro, os sons eram saudáveis e ao mesmo tempo puros e inocentes. Foi bastante bom perceber que todos conseguimos descer e subir juntos, e não interessa se somos diferentes, o que importa é sabermos ser diferentes.
terça-feira, 8 de agosto de 2006
OMAR, O ISLÃO E OS GYROS
Omar nasceu na Bélgica, é filho de um marroquino e de uma francesa. Conheci-o há poucos dias em Budapeste durante a sua visita turística à capital húngara. Não é que eu fale melhor que ele, mas o seu inglês com sotaque francês origina-me umas valentes risadas, não são maldosas, são apenas risadas de puto. Risadas de putos que facilmente encontram razões para o fazer. Tento sempre escapar-lhe, e muitas vezes consigo. Não é que não me saiba bem ter risadas de puto, até pelo contrário, mas por razões claras, neste caso, tento evitá-las. Omar vive em Bruxelas desde a sua nascença, todavia as relações com o Alcorão e com a religião muçulmana são bastante fortes. Omar aprendeu árabe na Bélgica, utiliza-o diáriamente na comunicação com o seu pai e visita Marrocos todos os anos. Apesar da sua vontade em conhecer uma discoteca húngara e talvez dar um pézinho de dança com uma das meninas bonitas da zona, acabámos mais uma vez por optar por um dos clubes ”underground” de Budapeste. Entretanto, já lá, ficámos ambos com fome e lembrei-me que podiamos comer um ”Gyros”, ele achou boa ideia e fomos. Disse-lhe ainda que aquele ”Gyros Büfé” era o melhor que eu conhecia em Budapeste. Pedi o meu. Enquanto a empregada o preparava, o Omar perguntou-me se a carne era de porco. Já tinha comido aquilo algumas vezes, mas não lhe sabia responder. Tentou perguntar à empregada, ela nem sequer o entendeu. Acabou por pedir o mesmo que eu. Andámos novamente em direcção ao clube de onde tínhamos vindo. Acabei o meu ”Gyros” e reparei que ele guardava o dele sem prácticamente o ter trincado, primeiro pensei que o estivesse a guardar para o saborear sentado e com mais calma. Mas com um leve suspiro, ele voltou-se para mim e disse: ”É porco”… Só então percebi o que se passava. No Islão o porco é alimento proibido. Foi a primeira vez que comi dois ”Gyros” seguidos. Agora prometi que só daqui a alguns dias (ou semanas) os voltarei a comer. Senti-me um bocado culpado e disse ao Omar que o poderia levar a outro sítio e esperar por ele. Ele achou que aguentava mais um bocado. Como recompensa prometi que da próxima vez iria com ele a uma discoteca.
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
quinta-feira, 3 de agosto de 2006
A PONTE CHUCK NORRIS
Li no site da Reuters que Budapeste vai ter, em 2008, uma nova ponte a atravessar o Danúbio, vai ser a norte da cidade. Esta será a ponte número dez que liga Buda a Peste. O nome da ponte ainda não está escolhido, mas agora está em curso uma votação (que pode ser feita através da internet) para achar o nome ideal da ponte. As opções são bastantes, mas parece que os votantes estão mais inclinados para a acção, o Chuck Norris está na frente. Assim, depois da ponte Erzsébet, da Margit, da Árpád, da Petőfi, da Lánchíd, da Lágymányosi, da Szabadság, da Északi Összekötő Vasúti e da Gubacsi poderá nascer em Budapeste a Chuck Norris Híd. E pronto, vamos ver quem ganha a corrida!
quinta-feira, 27 de julho de 2006
quinta-feira, 20 de julho de 2006
O AUTOCARRO
Nunca antes tinha necessitado tantas vezes de usar um autocarro como desde que cheguei a Budapeste. O autocarro é agora, aqui, parte de mim. Apanhar o 173, sair em Blaha Lujza tér, voltar a entrar no 7, sair na paragem seguinte, esperar pelo 75 na Stefánia utca e sair em Városliget para um passeio no parque da cidade são rotinas que chegaram a mim, assim. Às vezes utilizo o metro, mas penso sempre que não é em baixo que a vida corre. No autocarro posso olhar para as vidas a correr. Não consigo imaginar quantos milhares de pessoas utilizam diáriamente os autocarros de Budapeste. Umas debruçam-se sobre livros e jornais para passar o tempo, outras falam com um telefone, outras simplesmente estão lá, talvez a mergulhar em pensamentos, outras dormem e outras abstraem-se dos sons exteriores e escondem-se debaixo de uns ascultadores, ás vezes consigo ouvir-lhes a música. Todavia gosto do som do autocarro, o som do ar das portas a descomprimir quando estas se abrem ou fecham, o som da aceleradela mais forte do arranque depois de mais uma paragem, a melodia que antecede a voz da menina nas colunas do autocarro a avisar qual a paragem que se segue, o próprio peculiar som da voz da menina, ou mesmo o pequeno buzinar após alguém pressionar o botão que indica a necessidade de paragem para alguém sair. A maior parte das vezes volto para casa no autocarro da noite, é quase impossível manter-me acordado durante os cerca de 30 minutos da viagem. Já algumas vezes dei comigo na última paragem com uma qualquer pessoa a tentar falar comigo, ou a tentar simplesmente acordar-me. Acordo e reparo que nunca sou o único a deixar-me ficar para a última paragem, acho piada e fico mais aliviado. A primeira vez baralhou-me um bocado… Onde estou eu? Mas lá dei com o caminho depois de uns bons metros ou quilómetros. Agora tenho um plano. Alarme do telemóvel a despertar um pouco antes da paragem certa. E funciona. Chego a casa, peço desculpa à minha bicicleta por não a ter usado mais uma vez e no final fica tudo bem.
segunda-feira, 17 de julho de 2006
TOKAJ - HEGYALJA FESZTIVÁL
TOKAJ

Antes de partir olhei para o mapa. Tokaj aparece bem identificada em qualquer mapa da Hungria. Primeiro pensei que fosse uma cidade considerávelmente grande para merecer tal destaque. Mas ao lá chegar vi uma pequena e pacata vila húngara. Situa-se a nordeste da Hungria e é a região dos vinhos. Dizem que Tokaj é "O vinho dos reis e rei dos vinhos". É também património da UNESCO desde 2002. Com a passagem do festival Hegyalja a vila acorda e os barris começam a vazar melhor que nunca. Depois seja o que deus quiser. Uns batem com a cabeça na parede, outros têm mais sorte e a queda é menos grave. Estranho descontrole. Espero que no fim fique tudo bem. A estadia foi dura (não estivesse eu num festival de verão) mas realmente saborosa. O vinho escorregou bem e, pela primeira vez, comi peixe na Hungria. Tokaj é banhada pelo rio Tisza, provávelmente foi de lá que ele veio. Também foi bastante bom o mergulho que dei no Tisza.
Antes de partir olhei para o mapa. Tokaj aparece bem identificada em qualquer mapa da Hungria. Primeiro pensei que fosse uma cidade considerávelmente grande para merecer tal destaque. Mas ao lá chegar vi uma pequena e pacata vila húngara. Situa-se a nordeste da Hungria e é a região dos vinhos. Dizem que Tokaj é "O vinho dos reis e rei dos vinhos". É também património da UNESCO desde 2002. Com a passagem do festival Hegyalja a vila acorda e os barris começam a vazar melhor que nunca. Depois seja o que deus quiser. Uns batem com a cabeça na parede, outros têm mais sorte e a queda é menos grave. Estranho descontrole. Espero que no fim fique tudo bem. A estadia foi dura (não estivesse eu num festival de verão) mas realmente saborosa. O vinho escorregou bem e, pela primeira vez, comi peixe na Hungria. Tokaj é banhada pelo rio Tisza, provávelmente foi de lá que ele veio. Também foi bastante bom o mergulho que dei no Tisza.
terça-feira, 4 de julho de 2006
segunda-feira, 3 de julho de 2006
NÓS POR CÁ
Glu, gluuu…!!! Mais duas goladas. E pimba, mais um remate por cima do Maniche… Glu, gluuu… Mais duas goladas. E golos nada. Xxiiiiii… Eu a descarregar. E depois descarregar autoclismo e partir para mais outra. A cerveja escorrega bem… Mas golos nada. Fim do jogo. Xiiiiii… Descarregar e buscar mais uma antes dos penalties. Ricardo em grande e ingleses go home!! Gluu, glluuu, gluuu… Mais uns quantos goles para acompanhar a festa até tarde. Aqui não somos muitos mas fazemos barulho.
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